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Artigo de revisao

Etanol e cognição em idosos

Ethanol and cognition in elderly people

Ana Paula Ferreira Silva Sakaia; Fabíola Veloso da Fonseca Medeirosb; Mariany Melo Oliveirac

RESUMO

INTRODUÇÃO: O envelhecimento populacional é um fenômeno universal que acarreta um aumento na prevalência de problemas de saúde característicos do idoso, em sua maioria doenças crônico-degenerativas. Os transtornos mentais e comportamentais, dentre os quais se encontram o alcoolismo e a alteração cognitiva, são apontados em alguns trabalhos como transtornos psiquiátricos frequentemente encontrados em pacientes acima de 60 anos. O alcoolismo é um problema de saúde pública e interfere na vida do sujeito nos aspectos biopsicossociais e idosos etilistas são mais vulneráveis às consequências danosas do álcool, de alterações cognitivas leves até quadros demenciais avançados.
OBJETIVO: Realizar revisão de literatura sobre a relação do álcool e função cognitiva em idosos.
RESULTADOS: Foram identificadas pesquisas limitadas sobre substâncias psicoativas entre os idosos; de 2 a 10% dos idosos fazem uso abusivo de álcool; o alcoolismo crônico em idosos é um fator etiológico de transtornos cognitivos e há dificuldades para identificação desses casos.
DISCUSSÃO: O alcoolismo e o uso abusivo do álcool podem acelerar o envelhecimento cerebral e apresentar clinicamente, de forma aguda, alterações cognitivas transitórias. Nos casos de uso crônico de álcool, ocorre neurodegeneração, neurotoxicidade e comprometimento do metabolismo cerebral, causando disfunções cognitivas leves até lesões irreversíveis com quadro demencial instalado.
CONCLUSÃO: A relação entre álcool e função cognitiva em idosos é complexa e desperta interesse em estudos nessa área. O termo demência alcoólica ainda é questionado. Entretanto, é um termo genérico para descrever as alterações cognitivas e comportamentais ocasionadas pelo uso crônico de álcool, com sintomas predominantemente das áreas frontais, com prejuízos na funcionalidade e na qualidade de vida. Portanto, é necessário compreender os transtornos mentais em idosos e detectá-los precocemente, para intervenção imediata e promoção de um envelhecimento saudável.

Palavras-chave: Idoso; Etanol; Alcoolismo; Demência; Transtornos cognitivos

ABSTRACT

INTRODUCTION: Population aging is a universal phenomenon that causes an increase in the prevalence of typical health problems of the elderly, most chronic degenerative diseases, mental and behavioral disorders, among whom alcoholism and cognitive impairment, are pointed in some work as psychiatric disorders often found in over 60 patients. Alcoholism is a public health problem, and interferes with the subjects life in bio-psycho-social aspects alcoholics and elderly are more vulnerable to the harmful consequences of alcohol, mild cognitive impairment to advanced dementia.
OBJECTIVE: To review the literature on the relationship between alcohol and cognitive function in the elderly.
RESULTS: We identified limited research on psychoactive substances among the elderly; 2-10% of older people do abuse alcohol; chronic alcoholism in the elderly is an etiological factor in cognitive disorders; difficulties in identifying these case.
DISCUSSION: Alcoholism and alcohol abuse can accelerate brain aging and clinically presenting acutely with transient cognitive impairment and neurodegeneration in chronic use, neurotoxicity and impairment of cerebral metabolism occurs, causing mild cognitive impairment to irreversible lesions with dementia installed.
CONCLUSION: The ratio of alcohol and cognitive function in the elderly is complex and arouse interest in research in this area. The term alcoholic dementia is still questioned. However, it is a generic term to describe the cognitive and behavioral changes caused by chronic alcohol use with symptoms predominantly in frontal areas with damage in the functionality and quality of life. Therefore, it is necessary to understand mental disorders in the elderly and detect them early, for immediate intervention and promotion of healthy aging.

Keywords: Elderly/aged; Ethanol; Alcoholism; Dementia; Cognition disorders

INTRODUÇÃO

O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial. No Brasil, esse aumento vem ocorrendo de forma rápida e acentuada, assim como em outros países em desenvolvimento. Atualmente, o número de idosos brasileiros é da ordem de 26,1 milhões de habitantes (13%), mas as projeções indicam que este segmento poderá perfazer 41,7 milhões em 2030 e 58,4 milhões (26,7%) em 2060.1,2

Com o envelhecimento populacional há impacto e aumento da demanda em diversos setores da sociedade, para o indivíduo, a família, a comunidade, especialmente para a seguridade social e a saúde. Dentre as consequências, destaca-se o aumento na prevalência de problemas de saúde característicos do idoso, em sua maioria doenças crônico-degenerativas, tais como: doenças cardiovasculares, neoplasias, diabetes, doenças reumatológicas, alguns transtornos mentais, maior ocorrência de quedas, iatrogenias e demências.3,4

Os transtornos neuropsiquiátricos são relativamente frequentes na população idosa, como foi demonstrado no estudo realizado no município de São Paulo, onde foi detectado que 27% das pessoas acima de 60 anos eram portadoras de distúrbios mentais, como ansiedade, depressão, alcoolismo, demência, e de distúrbios de ajustamento.5

As internações por transtornos mentais corresponderam a cerca de 10% do total de hospitalizações ocorridas no Estado do Rio de Janeiro, representando o segundo maior gasto com internações e perdendo apenas para as doenças do aparelho circulatório.6

Os estudos apontam os seguintes diagnósticos psiquiátricos mais frequentes encontrados nos pacientes acima de 60 anos: esquizofrenia, transtornos afetivos, quadros demenciais, transtornos mentais e comportamentais decorrentes do uso de álcool.7

Dados semelhantes foram encontrados no terceiro Censo Psiquiátrico realizado com idosos das instituições públicas e privadas de Portugal.8

Nesse mesmo país, no ano de 2003, foi realizado um inquérito a fim de avaliar os cuidados de saúde mental prestados à população idosa (>65 anos) pelos serviços de psiquiatria das instituições hospitalares públicas (hospitais psiquiátricos e departamentos e serviços em hospitais gerais), no qual foi revelado que apenas 28% das instituições públicas de saúde mental desenvolviam ações práticas da psicogeriatria.9

O alcoolismo acomete de 10 a 12% da população mundial. No Brasil, dados do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID) referentes aos dois levantamentos domiciliares de uso de drogas psicotrópicas realizados no país mostram que a dependência de álcool aumentou de 11,2%, em 2001, para 12,3%, em 2005.10

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou mais recentemente o "Relatório Global sobre Álcool e Saúde", que traz informações sobre o consumo de álcool no mundo em 2010. No Brasil, o consumo total estimado é equivalente a 8,7 L por pessoa, quantidade superior à média mundial (6,2 L). Embora o país apresente um consumo elevado de álcool, verifica-se diminuição no consumo per capita de álcool puro entre 2005 (9,8 L) e 2010 (8,7 L).11

Os dados fornecidos pelo Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS) demonstraram o perfil de internação na Emergência Psiquiátrica no Hospital Municipal de Maringá no período de Janeiro de 2009 a junho de 2010: do total de 1.548 pacientes internados, 46,18% apresentaram diagnóstico de transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de álcool; destes, 39,7% pertenciam à faixa etária entre 41-51 anos; 30,42%, entre 30-40 anos; e 17,11%, de 52-62 anos.12

O consumo de bebida alcoólica de forma nociva se constitui um dos mais sérios problemas de saúde pública por ser um dos fatores de risco de maior impacto para morbidade, mortalidade e incapacidades em todo o mundo, e parece estar relacionado a 3,3 milhões de mortes a cada ano. Dessa forma, quase 6% de todas as mortes em todo o mundo são atribuídas total ou parcialmente ao álcool.11,13

O alcoolismo pode comprometer a saúde do idoso, chegando a 4% a prevalência de idosos com quadro de abuso ou dependência de álcool como problema principal. Tal prevalência pode sofrer uma variação, pois depende do método utilizado para detectar o uso e as consequências, a distribuição geográfica e a amostra (geralmente são utilizadas subamostras), o que dificulta uma comparação. A literatura evidenciou que, entre os idosos, os fatores sociodemográficos mais comuns associados ao consumo de álcool envolvem o sexo masculino, o isolamento social e o estado civil (solteiro, separado ou divorciado).14

Problemas relacionados ao álcool podem ser confundidos como sendo consequência normal do envelhecimento. No entanto, o álcool é uma substância comumente abusada entre os adultos mais velhos; assim, mudanças relacionadas à idade predispõem esses pacientes a uma maior sensibilidade aos seus efeitos.15

Os efeitos do álcool sobre a cognição são tema recorrente no âmbito dos estudos neuropsicológicos, uma vez que praticamente todas as drogas que podem gerar abuso exercem, direta ou indiretamente, algum tipo de efeito cerebral modificando-o de forma crítica e causando alterações na sua função, que abrange desde alterações cognitivas mínimas até quadros demenciais avançados.16

As síndromes demenciais têm origem multifatorial e sua prevalência aumenta com o envelhecimento. Caracterizam-se por déficits cognitivos em seus vários domínios e alterações de comportamento, levando o indivíduo acometido à perda de funcionalidade e ao prejuízo na realização das atividades de vida diária (AVDs), além de grande repercussão biopsicossocial.16

Para que seja realizada uma detecção precoce desses transtornos mentais é de fundamental importância que a equipe de saúde que atende a população idosa seja qualificada e atenta para as particularidades do processo do envelhecimento, principalmente pelo fato de as apresentações clínicas serem atípicas e se sobreporem, dificultando o esclarecimento diagnóstico.

Dessa forma, o comprometimento cognitivo induzido pelo álcool e sua compreensão clínica complexa em indivíduos idosos são questões amplamente discutidas e ainda pouco elucidadas, o que justifica a necessidade de pesquisas e revisões literárias sobre o tema.

O objetivo do estudo foi realizar revisão de literatura sobre a relação entre o álcool e a função cognitiva em idosos, além de despertar o interesse em realizar estudos mais elaborados sobre o tema.

 

MÉTODOS

A busca de artigos foi realizada nas bases de dados PubMed e SciELO, nos idiomas inglês e português, com os descritores: idoso (aged/elderly), etanol (Ethanol), alcoolismo (Alcoholism) demência (dementia) e transtornos cognitivos (cognition disorders), extraídos da base de dados Descritores em Ciências da Saúde (DeCS).

Também foram analisadas outras bases de dados: Ministério da saúde (MS), Organização Mundial da Saúde (OMS), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de outras fontes científicas adicionais (livros, revistas, sites) que abordassem o assunto.

 

RESULTADOS

Este estudo de revisão da literatura teve como objetivo abordar os aspectos cognitivos e comportamentais do alcoolismo em idosos. Por meio do levantamento bibliográfico realizado observaram-se poucas pesquisas utilizando a população idosa como amostra principal e uma limitação na literatura científica brasileira.14

A literatura evidencia que a carência de estudos sobre o uso de substâncias psicoativas entre idosos pode estar relacionada às dificuldades de identificação do uso das substâncias (padrão de consumo, tipo de substância usada, níveis de dependência), às limitações físicas, psicológicas e sociais, e aos problemas tanto por parte do próprio idoso (por não relatar) quanto dos profissionais de saúde (por não realizarem o rastreio e a identificação desses casos).14

Com relação ao alcoolismo foi constatado que 90% da população mundial adulta consome algum tipo de bebida alcoólica sendo que desses, 10% apresentarão uso nocivo de álcool e outros 10% se tornarão dependentes, ou seja, em cada 5 bebedores, 1 terá algum problema de saúde relacionado à ingestão etílica.17

No Brasil, estudos demonstraram que metade dos bebedores consome álcool com alto risco para sua saúde, sendo que 24% bebem frequentemente e pesado, e 29% bebem, porém com menor frequência e intensidade.18

Em estudos epidemiológicos desenvolvidos com diferentes metodologias e locais foi demonstrado que de 2 a 20% de idosos faziam uso abusivo de álcool e que de 1 a 12% apresentaram critérios de diagnóstico da síndrome da dependência. Em outros ambientes de tratamento esses índices foram ainda maiores: 14% nas urgências hospitalares, de 18 a 41% nas internações em enfermarias e de 23 a 44% em enfermarias psiquiátricas.14

Dentre as consequências deletérias ocasionadas pelo uso abusivo do álcool encontra-se a atrofia cerebral, cujo aspecto neuroanatômico retrata a sequela do alcoolismo crônico em idosos. Déficits neuropsicológicos em memória, funções visoespaciais e funções executivas são comumente encontrados nessa população.7,19

Estima-se que 70% dos alcoólatras que bebem ativamente terão prejuízos cognitivos, medidos nos testes neuropsicológicos.20

Devido à ação neurotóxica, o álcool é fator contribuinte para a etiologia de algumas síndromes demenciais, como a demência alcoólica, cuja prevalência encontrada foi de 1,4%.21

A denominação de transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de substâncias psicoativas ainda é controversa, utilizando-se termos como demência alcoólica ou demência associada ao uso crônico de álcool.7,22

Constatou-se relação direta, porém complexa, entre o alcoolismo e transtorno cognitivo,5 cujo diagnóstico deve-se basear em avaliação clínica minuciosa, auxílio de exames complementares e testes de rastreio adequados para uma população idosa que se apresenta clinicamente de forma atípica e heterogênea.

 

DISCUSSÃO

O alcoolismo pode ser definido como uma síndrome de dependência consequente do uso excessivo e prolongado de álcool. Trata-se de uma patologia crônica e multifatorial, com muitas recidivas, inúmeros prejuízos clínicos, sociais, laborais, familiares e econômicos, frequentemente associados a situações diversas de violência, acidentes de trânsito e traumas em muitos países.23,24

Considerando que existem algumas definições e tipologias de alcoolismo, a distinção entre abuso de álcool e síndrome da dependência alcoólica é importante para que, na prática clínica, sejam investigados os problemas relacionados aos distintos modos de uso do álcool, visto que se apresentam em diversos níveis de risco e de gravidade.25

O uso abusivo do álcool pode ser classificado em uso leve, moderado e pesado gerando graus diferenciados de prejuízos, sem caracterizar a dependência. Já a síndrome de dependência alcoólica é um transtorno psiquiátrico relacionado à dependência em que há necessidade intensa, constante e progressiva de utilizar a bebida alcoólica com severas repercussões individuais e sociais.25

Em geral, no Brasil, os problemas decorrentes do uso do álcool ainda são citados como os relacionados à dependência alcoólica. Todavia, estudos mostram que há problemas tão ou mais graves relacionados a outros padrões de consumo de álcool, de modo que bebedores pesados apresentam mais transtornos psiquiátricos comórbidos do que os bebedores moderados, e que transtornos psiquiátricos estão mais relacionados à quantidade e à frequência do beber, enquanto os sintomas decorrentes de um transtorno mental podem ser desencadeados pelo uso do álcool.25

A definição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV) de abuso e dependência tem valor limitado para a maioria dos idosos que consomem álcool ou drogas de modo problemático. Nesse sentido, a CID-10 é capaz de identificar de forma mais adequada indivíduos em risco ou com sinais iniciais de comprometimento.26 Na CID-10, por exemplo, encontra-se a classificação F10 para transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso do álcool e suas subdivisões, facilitando, portanto, a interpretação de cada um desses transtornos.27

Embora ainda existam muitas controvérsias quanto à existência ou não de um quadro clínico característico do alcoolismo na população idosa, é sabido que tanto este como o envelhecimento produzem déficits no funcionamento intelectual e comportamental.28 O alcoolismo e o uso abusivo de álcool podem acelerar o processo normal de envelhecimento do cérebro, por exemplo, acentuando a perda de tecido cerebral e aumentando a diminuição de massa dos lobos frontais.29

Dessa forma, o alcoolismo não apresenta um padrão homogêneo em seu quadro clínico, evolução e fatores etiológicos. Essa heterogeneidade clínica é provavelmente a responsável pelo surgimento de inúmeras tipologias de alcoolismo, tornando necessária a identificação de grupos de pacientes que compartilham características clínicas, biológicas, psicológicas ou sociais semelhantes. Isso porque, ao traçar o perfil dos idosos que consomem álcool ou que são vulneráveis, é possível realizar intervenções preventivas e específicas mais eficazes.30

Apesar da existência de trabalhos relacionando alcoolismo e idosos, ainda são encontradas dificuldades para identificar o consumo de álcool e outras drogas nessa população porque muitos dos instrumentos empregados na avaliação dos problemas de uso ou abuso de álcool, como o CAGE (acrônimo referente às suas quatro perguntas - Cut down, Annoyed by criticism, Guilty and Eye-opener) ou o Alcohol Use Disorder Identification Test (AUDIT), são limitadores, necessitando de questionários de avaliação mais acurados para as especificidades dessa faixa etária. Segundo alguns autores, o Michigan Alcoholism Screening Test (MAST) e principalmente sua versão geriátrica Michigan Alcoholism Screening Test-Geriatric (MAST-G) são os instrumentos mais apropriados para a triagem de idosos com problemas relacionados ao álcool.31

Alguns estudos realizados utilizaram testes de rastreio para investigar o alcoolismo na população. O exemplo disso foi um estudo realizado no serviço ambulatorial da Universidade de São Paulo (USP): a pesquisa contemplou 304 pessoas acima de 60 anos que foram submetidas ao questionário específico MAST e constatou que 15,1% desses idosos tiveram contato com o alcoolismo em algum período da vida; na ocasião do estudo, 4,3% ainda faziam uso do álcool.32

Um estudo realizado em Juiz de Fora, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), descreveu o perfil de saúde de 392 idosos, com idade média de 70,9 anos, residentes em uma comunidade (excluindo os idosos institucionalizados e os que apresentaram alguma incapacidade), e identificou que 74,8% dos entrevistados relataram nunca ter ingerido bebida alcoólica, enquanto 6,4% da amostra tiveram o hábito de ingerir álcool duas ou mais vezes por semana e 8,4% já haviam recebido sugestão médica para que parassem de beber.33

A incidência de alcoolismo é maior entre os homens e entre os mais jovens, especialmente na faixa etária dos 18 aos 29 anos, declinando com a idade.34

Contrariando alguns estudos epidemiológicos, um levantamento da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD) demonstrou um aumento significativo do uso de álcool pela população idosa.29 As pesquisas mostram que de 6 a 11% dos pacientes idosos admitidos em hospitais gerais apresentam sintomas de dependência alcoólica, sendo que em casas de repouso tal população chega a 49% em alguns estudos.

Outro estudo realizado com 538 pessoas para traçar o perfil do consumo de álcool da população residente no município de Campinas (SP) demonstrou, com relação à idade, que a frequência do consumo foi distinta entre as faixas analisadas. Embora a maior proporção de quem nunca bebeu álcool fosse encontrada entre os mais idosos, o percentual de quem bebe quatro ou mais vezes por semana atinge índices superiores a 6% justamente nos mais idosos. Esse estudo também demonstrou, sem diferenças significativas, que 9,6% dos mais jovens e 2,7% das pessoas com 60 anos ou mais de idade referem tomar 5 ou mais doses em um dia típico.35

Algumas pessoas começam a fazer uso do álcool mais tardiamente, o que aumenta a prevalência de dependência do álcool de início tardio.18

Para os alcoólatras idosos, nos quais o distúrbio se iniciou depois dos 50 anos, as perdas e o isolamento que acompanham o envelhecer são fatores muitas vezes associados com o início do problema. O abuso e a dependência do álcool nessa faixa etária acarretam consequências em longo prazo e também consequências imediatas, como quedas e acidentes, situações que predispõem a traumatismo craniano e complicações, como hematomas subdurais.15

A abstinência de álcool nessa faixa etária deve ser considerada, por ser uma possível causa de delirium.15,36 Por isso, ressalta-se a importância do rastreamento desses casos na admissão em uma unidade de cuidados intensivos, para se traçar um plano de cuidados que deve incluir observação e intervenção imediata.

Os aspectos clínicos decorrentes do uso de álcool são resultantes do quadro nutricional, dos efeitos tóxicos do álcool sobre os tecidos corporais e das respostas adaptativas do corpo à exposição excessiva de álcool (tolerância e dependência física).37

Especificamente, no cérebro observa-se atrofia cortical, degenerações e alterações no processo cognitivo, relacionadas a várias síndromes neuropsiquiátricas, dentre as quais estão as síndromes demenciais.28,37

O álcool também interfere e destrói as sinapses, prejudicando, dessa forma, o pensamento, a memória e o comportamento. Percebe-se, portanto, que o uso abusivo do álcool para pessoas predispostas a quadros demenciais acentuará ainda mais as alterações que ocorrem em nível encefálico.20

A perda neuronal pode acelerar-se na idade adulta, como consequência de acidentes vasculares cerebrais, tumores, lesões, ou uma variedade de processos degenerativos. Quando a perda abrange as funções superiores, os quadros clínicos são chamados demências.16,38

As funções cognitivas, por exemplo, não apresentam um mesmo perfil de declínio entre os idosos, podendo se apresentar como um processo normal do envelhecimento, ou como um processo progressivo, que, dependendo de vários fatores, pode desencadear uma leve diminuição do desempenho cognitivo até um quadro demencial progressivo com prejuízo nas AVDs.16

As demências apresentam uma prevalência diferenciada dentro das faixas etárias de um grupo de idosos: afetam aproximadamente 5% dos idosos com 65 anos de idade e 20% daqueles com 80 anos ou mais.39

O quadro de demência é caracterizado por alterações marcantes na condição cerebral, tais como: redução na população neuronal, particularmente no hipocampo, aparecimento de redes neurofibrilares e placas amiloides, alterações neuroquímicas com redução significativa da enzima colina-acetiltransferase, da própria aceltilcolina e de outros neurotransmissores e neuromoduladores.27

As demências, portanto, constituem síndromes clínicas caracterizadas pelo desenvolvimento de múltiplos déficits cognitivos e alterações de comportamento, acarretando um prejuízo das atividades funcionais da vida diária de seus portadores e vêm se tornando um problema de saúde pública na medida em que aumenta a longevidade das populações. Daí a importância do conhecimento sobre as características desse distúrbio para um diagnóstico mais preciso e uma orientação mais segura, uma vez que assume proporções cada vez maiores e leva a uma sobrecarga social e familiar.16,22

Há demências degenerativas primárias, progressivas e irreversíveis, e demências que resultam de um progressivo, mas potencialmente reversível, processo de origem secundária.

Um estudo descreveu as características clínicas e sociodemográficas dos pacientes com demência atendidos por um período de três anos em um ambulatório terciário. Foi identificado que a doença de Alzheimer (demência degenerativa primária) era a etiologia mais frequente, seguida de doença cerebrovascular (associada a arterites, aterosclerose, hipertensão arterial sistêmica, diabetes e cardiopatias embolizantes), alcoolismo e hidrocefalia de pressão normal.40

Em outro estudo retrospectivo realizado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP sobre a "Prevalência de Demências Potencialmente Reversíveis em Ambulatório Especializado", a metodologia utilizada foi revisão de 454 prontuários de pacientes atendidos no ambulatório no período de 1991 a 2001. O critério utilizado para diagnóstico de demência foi baseado no DSM-IV. Dos pacientes avaliados, com idade média de 67,7 anos, 275 eram portadores de demência: 59,4% tinham doença de Alzheimer, 13,4%, demência vascular, 4,7%, demência fronto-temporal, 3,2%, neurossífilis, 2,1%, demência com corpos de Lewy, 1,8%, hidrocefalia, 1,4%, doença de Parkinson com demência, 1,4%, demência alcoólica, 0,7%, síndrome de Wernicke-Korsakoff.21

Os dois tipos mais frequentes de demência (Alzheimer e vascular) podem estar associados em 10% dos casos, especialmente nos mais idosos, constituindo a demência mista. Além dessas duas etiologias mais comuns, degenerativa e vascular respectivamente, existem outras causas menos frequentes (potencialmente reversíveis) tais como: inflamatória, infecciosa, metabólica, traumática, tóxica, abuso e dependência alcoólica e neoplásica.21

Dessa forma, verifica-se que as demências têm várias etiologias e que o uso do álcool é um fator contribuinte, por ser danoso para o sistema nervoso. Portanto, pode se apresentar clinicamente de diversas maneiras.

No uso agudo, o álcool tende a comprometer a atenção, a memória e as funções executivas e visoespaciais, enquanto no uso crônico altera a memória, a aprendizagem, a análise e a síntese visoespacial a velocidade psicomotora, as funções executivas e a tomada de decisões, podendo chegar a transtornos persistentes de memória e quadro demencial.19

Dentre vários distúrbios neuropsiquiátricos ocasionados ou desencadeados pelo alcoolismo, vale ressaltar a síndrome de Wernicke-Korsakoff, que é uma doença neurodegenerativa, muitas vezes subdiagnosticada, caracterizada por vários déficits cognitivos, principalmente em processos de aprendizagem e memória, e ocorre em 2 a 3% dos alcoólatras crônicos, devido à neurotoxicidade alcoólica, deficiência de vitamina B1 e susceptibilidade individual, o que compromete o metabolismo cerebral, causando disfunções que variam desde alterações funcionais até lesões cerebrais irreversíveis.41

Percebe-se que a relação entre alcoolismo e transtorno cognitivo é muito complexa. Sabe-se que o uso crônico do álcool desencadeia uma série de alterações relacionadas à cognição e aos distúrbios comportamentais, porém o termo "demência alcoólica" ainda é questionado por alguns autores.5

Alguns diagnósticos de demência potencialmente reversível estão incluídos no DSM-IV e CID-10, tais como os transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de substâncias psicoativas, nos quais se inclui a demência alcoólica, cujo termo genérico é classificado pela CID-10 como F10. Essa classificação geralmente é utilizada para descrever casos de transtorno crônico e progressivo decorrente do uso prejudicial de álcool, caracterizado pela perda de funções corticais múltiplas, incluindo memória, pensamento, orientação, compreensão, cálculo, capacidade de aprendizagem, linguagem e julgamento.27

O DSM-IV considera o diagnóstico de demência alcoólica quando há comprometimento persistente da memória e de outra função cognitiva, associado à presença de prejuízo no funcionamento social ou ocupacional e de evidências de que a etiologia do quadro esteja relacionada ao uso de álcool.22

Ressalta-se que a demência associada ao uso crônico de álcool instala-se após ingestão prolongada de grandes quantidades de álcool e não apresenta características específicas, além de seu diagnóstico requerer a exclusão de outras causas de demência, não devendo ser firmado antes de três semanas de abstinência. É a terceira causa mais comum de distúrbio mental no homem idoso (frequentemente não diagnosticado) e apresenta uma tendência a maior prejuízo de funções não verbais; quando um prejuízo intelectual mais generalizado se desenvolve após anos de uso intenso, o diagnóstico de demência associada ao alcoolismo é apropriado.42

Assim, de uma maneira geral, o termo "demência alcoólica" é usado para descrever as alterações cognitivas e comportamentais ocasionadas pelo alcoolismo crônico, sem característica neuropatológica específica e patogênese não relacionada com as deficiências nutricionais. Os sintomas frontais são predominantes, tais como retardo psicomotor, perda de concentração, apatia, desorientação, mudanças afetivas, irritabilidade e alterações do julgamento, como confabulação e alucinação. As possibilidades de reversão dessa síndrome demencial são poucas mesmo em abstinência completa, devido aos efeitos tóxicos do álcool de longa data.43

A Neuropsicologia aplicada a abuso e dependência do álcool busca a compreensão da relação entre danos cerebrais e seus efeitos na cognição e no comportamento do indivíduo. Estuda, ainda, os comprometimentos neurocognitivos dos pacientes, relacionando-os a achados estruturais e funcionais de neuroimagem.19

De fato, há uma necessidade de se ampliar estudos acerca dessa correlação para uma maior compreensão e intervenções adequadas.

Políticas públicas e medidas para diminuir o risco de alcoolismo são as alternativas mais importantes para prevenir novos casos de distúrbios cognitivos relacionados ao álcool. Para tanto, é necessário que os profissionais estejam atentos e preparados para rastrear esses casos, para que haja uma intervenção imediata. Paralelamente, os profissionais de saúde que trabalham com pacientes com demência devem sempre investigar se existe quadro de alcoolismo associado. Essa atitude pode evitar erros diagnósticos graves, pois, além de o enfoque terapêutico ser diferente, a demência alcoólica é considerada potencialmente reversível e requer tratamento específico do alcoolismo.16

Tais cuidados são necessários, pois os distúrbios neuropsiquiátricos dos idosos interferem de forma negativa na vida daqueles envolvidos com seus cuidados e já representam uma parcela importante dos atendimentos realizados em alguns serviços de saúde.44

Portanto, é necessário que os profissionais de saúde estejam cientes das particularidades dos quadros clínicos nessa faixa etária, de forma a detectar tais alterações precocemente e trabalhar de forma interdisciplinar, conduzindo esses casos de forma adequada para que o envelhecimento aconteça de forma mais saudável, com mais qualidade de vida e com a funcionalidade preservada.

 

CONCLUSÃO

O alcoolismo é uma doença de alta morbimortalidade que acarreta problemas biopsicossociais e pode acometer a saúde da pessoa idosa em vários aspectos.

Alguns estudos demonstraram que os efeitos do álcool sobre o funcionamento cerebral abrangem desde alterações cognitivas mínimas até quadros demenciais avançados.

A compreensão clínica dessa relação é complexa e observaram-se poucas evidências sobre o tema; tornou-se, então, marcante a necessidade de pesquisas mais elaboradas, que incluam estudos epidemiológicos sobre a prevalência de alcoolismo entre idosos e que ressaltem a avaliação cognitiva e o diagnóstico de déficits cognitivos em idosos alcoólatras.

Para tanto, há necessidade de rastreamento adequado por meio de uma metodologia e de testes mais acurados e específicos para essa população, para detecção desses transtornos mentais que acometem essa faixa etária.

Tais necessidades especiais se devem às dificuldades na compreensão de transtornos mentais em idosos, uma vez que é comum a associação e sobreposição dessas alterações, além das apresentações atípicas que dificultam os esclarecimentos diagnósticos.

Portanto, é necessária uma equipe de saúde qualificada que seja atenta às particularidades do processo do envelhecimento, e capaz de realizar a detecção precoce desses casos e intervenções imediatas, a fim de evitar a perda da funcionalidade, promovendo, dessa forma, um envelhecimento saudável e com mais qualidade de vida.

 

CONFLITO DE INTERESSE

Os autores declaram não ter conflito de interesse em relação ao presente estudo.

 

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